Saber é proteger
Capacitações pretendem criar uma rede de pessoas preparadas para reconhecer riscos e levar mensagens de protecção a cerca de 7.000 pessoas.
Nem todas as formas de violência são imediatamente reconhecidas. Algumas escondem-se no quotidiano, por detrás de hábitos, normas sociais e práticas culturais que, durante anos, foram vistas como normais. Reconhecer estes sinais pode ser o primeiro passo para proteger uma criança.
É com esta visão que as Aldeias de Crianças SOS Moçambique têm promovido capacitações em protecção infantil, preparando membros das comunidades para reconhecer, prevenir e responder a situações que possam colocar crianças e jovens em risco.
Para Cardoso, participante numa das capacitações, o encontro trouxe uma nova forma de olhar para determinadas situações do dia-a-dia.
“Não sabia que alguns actos eram considerados violência. Alguns escondem-se por detrás das nossas normas sociais e da nossa cultura.”
O testemunho revela uma das principais razões pelas quais o conhecimento é fundamental na protecção infantil: não é possível prevenir aquilo que não se consegue reconhecer.
As capacitações abrangem as comunidades de Magoanine A e B, Malhazine, Inhagoia A e B, Luís Cabral e George Dimitrov, criando progressivamente uma rede de pessoas mais informadas e preparadas para contribuir para a segurança e protecção das crianças no seu próprio meio.
Durante uma das sessões, Fernanda Dias, ponto focal da Violência Baseada no Género no distrito de KaMubukwana e oradora do encontro, reforçou a importância de denunciar, com celeridade, situações de violência, abuso ou violação dos direitos das crianças, adolescentes e outros grupos vulneráveis.
“Todas as situações de violência e abuso devem ser denunciadas no prazo de até 72 horas, de modo a garantir uma resposta rápida, adequada e eficaz, sobretudo quando estão envolvidas crianças, adolescentes e outros grupos vulneráveis.”
A mensagem reforça que a protecção infantil não deve ser responsabilidade de uma única instituição. Pais, cuidadores, professores, líderes comunitários e outros membros da comunidade têm um papel fundamental na identificação de riscos, na prevenção da violência e no encaminhamento de situações que exigem intervenção.
Porque o verdadeiro impacto de uma capacitação não termina quando a sessão acaba. Continua quando um participante regressa à sua comunidade e partilha o que aprendeu. Continua quando alguém reconhece um sinal de violência que antes não identificava. E continua quando uma criança encontra um adulto preparado para a ouvir, proteger e procurar ajuda.