10,000 pessoas no centro da Resposta em Moçambique
As Aldeias de Crianças SOS Moçambique, a Livaningo e o Governo apoiaram cerca de 10 mil pessoas, colocando as comunidades no centro da resposta humanitária às cheias em Búzi e Chókè.
Quando as águas das cheias baixaram, os desafios enfrentados pelas famílias afectadas estavam longe de terminar. Nas comunidades do distrito do Búzi, província de Sofala, e do distrito de Chókwè, província de Gaza, muitas famílias continuam a enfrentar as consequências de um desastre que afectou as suas casas, meios de subsistência e acesso a bens essenciais. Perante este cenário, a resposta humanitária liderada pelas Aldeias de Crianças SOS Moçambique, em coordenação com parceiros e autoridades locais, levou assistência directamente às comunidades afectadas. Foram distribuídos kits de alimentação, higiene e dignidade a famílias vulneráveis, numa acção que procurou não só responder às suas necessidades imediatas, mas também apoiar a sua recuperação e protecção.
As comunidades de Chókwè, na província de Gaza, e de Inharongue e Bandua, na província de Sofala, dependem, em grande medida, da agricultura de subsistência e da pesca artesanal para a sua subsistência. As cheias que afectam periodicamente a bacia do rio Búzi e o Canal de Lionde podem destruir culturas, interromper as vias de acesso e dificultar o acesso das famílias a bens essenciais. Para as famílias que já vivem em condições de vulnerabilidade, a perda de alimentos e o acesso limitado à água segura colocam uma pressão adicional sobre os recursos familiares e sobre a sua capacidade de cuidar das crianças.
Estas comunidades enfrentam uma realidade marcada por agregados familiares numerosos, famílias chefiadas por mulheres, pessoas idosas, crianças sob os cuidados de terceiros e pessoas sem uma fonte de rendimento para as famílias, o acesso atempado a bens essenciais pode fazer uma diferença significativa na sua capacidade de recuperar e reconstruir as suas vidas.
A assistência prestada procura responder a necessidades que, por vezes, podem parecer simples, mas que se tornam particularmente importantes no período que se segue a uma situação de emergência.
O kit de alimentação contém arroz, farinha de milho, feijão, óleo alimentar e sal. O kit de higiene e saneamento inclui um balde de 25 litros com tampa, sabão em barra, purificador de água, pasta dentífrica e escovas de dentes. Para mulheres e raparigas, o kit de dignidade contém pensos higiénicos, sabão em pó, uma lanterna, roupa interior, pilhas, uma capulana e sabonetes.
São produtos práticos que apoiam as famílias no seu dia-a-dia, desde a preparação das refeições e o armazenamento e purificação segura da água para consumo, até à manutenção da higiene das mãos e da higiene pessoal, contribuindo também para a preservação de condições básicas de dignidade.
Durante o processo de distribuição, as famílias participaram em sessões de sensibilização sobre higiene e saúde colectiva, com demonstrações sobre a lavagem correcta das mãos, purificação da água e prevenção de doenças diarreicas, cólera e malária.
Foram igualmente abordadas questões de Violência Baseada no Género (VBG), direitos humanos, prevenção do abuso e exploração sexual e identificação de riscos de protecção. As comunidades receberam informação sobre mecanismos de denúncia e encaminhamento, incluindo serviços de saúde, acção social, autoridades policiais e linhas de apoio.
Outro eixo importante foi a preparação para futuras situações de emergência, com informação sobre alertas precoces, zonas seguras, rotas de evacuação, armazenamento de alimentos e sementes, protecção de documentos e primeiros socorros comunitários.
“Receber estes kits deixa-me muito feliz. Vão ajudar muito a minha família e aliviar algumas das dificuldades que estamos a enfrentar. Agora já posso beber água limpa!”